sexta-feira, setembro 29, 2006

Sobre ser nada

Não sou nada
por não saber o que fazer com o tudo que sei...

segunda-feira, setembro 25, 2006

Pela tangente


Por desconhecida razão
quis conhecer tua pessoa;
para isso, estouvado e ligeiro,
procurei formas de aproximação.
E, não muito convencional,
confesso,
pus-me a invadir tua vida
de forma irracional,
investigando os nímios detalhes
que te compunham,
as pequenas brechas a que teus dizeres
e grafias se propunham.
E de tudo tentei e fiz
pra deslindar através dos outros
a forma do teu desenho,
que por minhas mãos escorria,
em traços de fotografia:
um rosto tão bonito,
ileso da perturbação
que a mim cabia.
Dessa forma,
de soslaio burlei o mais curto caminho
que me poderia levar a ti,
e
aos outros preferi
pra ter acesso secundário
ao que lhe dizia respeito,
pois tão sem jeito,
não sabia como tocar tua figura.
E por acaso agora, te observo
silencioso no papel impresso:
sonhos apenas
que de tão íngremes
escapam pela tangente.

domingo, setembro 24, 2006

O imposto e a falta de compromisso no Brasil

Uma das razões que me irritam na atitude empresarial e governamental para o impedimento da ilegalidade é a inconsistência da propaganda, tentando vincular desordens ao público consumidor e não ao "verdadeiro culpado" (aqui cabe uma observação filosófica da questão levantada por Hume acerca do problema da causalidade, mas vou passar por cima deste ponto sem me questionar bastante). Estava eu sentado na cadeira do McDonald's comendo uma McRefeição porca lixão [mamãe fora de casa dá nisso - ridículo eu!] e passei um tempinho lendo aquele papel de apoio na bandejinha e observei o seguinte:

"Não comprem produtos piratas, pois é ilegal e prejudica o comércio"

Não quero fazer apologias à pirataria, mas entendo o seu existir. Pro meio governamental/empresarial é muito mais fácil tentar convencer as pessoas de que é justo pagar 2,50 num produto que custa 1,20 atribuindo a culpa aos piratas que os vendem sem custo de imposto (que, diga-se de passagem, é altíssimo) ao invés de começar campanha contra os juros cavalantes de 38% em cima de cada produto que você compra. Observe a economia dos meus gastos diários descontadas de imposto de renda:


Valor sem desconto de imposto de renda Imposto Valor sem imposto




Passagem de Ônibus (ida e volta) 3,8 0,38 2,356
Metrô (ida e volta) 4,6
2,852
Almoço 11,95
7,409

20,35
12,617
Economia (por dia) 7,733

Dias 22

Economia (mês) 170,126


Pois é, não é assustador?

Agora vocês acham que o governo quer perder uma capitalização de 0,38 de cada produto vendido? Estou assumindo, por não conhecer muito a questão econômica que o imposto é homogêneo de 38%. É muito melhor convencer as pessoas a comprar coisas com imposto, concordam?

sábado, setembro 23, 2006

Vídeo

- Marcelo, já viu o vídeo da c.i.c.a.r.e.l.l.i?
- Não. Que vídeo?
- Toma o link ''http://link.com''...ela tá transando com o cara na praia.
- E...?
- Porra! Quer mais?
- Não...só não me interessa muito saber da intimidade dos outros. Tô bastante satisfeito com a minha...
- Ah moleque! Pára de veadice!

Pois é. Esse vídeo mostra como o brasileiro é recalcado...


segunda-feira, setembro 18, 2006

Construção e Destruição

Freud diria que há partes dicotômicas que compõem a psiquê humana: a auto-construtiva e a auto-destrutiva. A filosofia japonesa já formulava esta questão de uma forma ou de outra, estabelecendo que o universo ubíquo é composto de duas partes: uma que contrai e outra que expande, formando um movimento helicoidal, mais conhecido por nós como espirais. As formas espiraladas estão presentes em muitas coisas, como em formações primárias da vida e galáxias, não há nada de estranho tentar induzir que o indizível se comporte dessa forma. Até porque a tal filosofia pressopõe o entendimento dessas duas forças, batizando o balanceamento delas de harmonia. Acidentalmente[?] o mesmo Freud estabelece sobre a mente humana: o equilíbrio do lado construtivo e destrutivo...

sexta-feira, setembro 08, 2006

Auto-defesa


Antes de fazer mal a quem gosto,
prefiro fazer a mim mesmo,
como uma flor que se isola em espinhos
ou um ouriço que se guarda em vevenos.
Porque sou puro consumo próprio
e se hoje me entrego ao ópio
é porque outras saídas não vejo.
E se puderes me perdoar
este seria o último desejo
pelo qual, sem pejo,
venho indagar.
E ainda que me negues o pedido
venho insistir, amigo,
para que não leves contigo
aquela derradeira imagem:
o castigo pertence a mim,
em parte...
porque antes de fazer mal a quem gosto,
prefiro fazer a mim mesmo,
como uma flor que se isola em espinhos
como um fruto traiçoeiro...

quarta-feira, setembro 06, 2006

Hoje eu quis voltar a ser idiota

Por algum acaso, hoje quis voltar a ser idiota. Àquele tempo onde tudo me parecia indiferente e meu faro tradutor ainda não agia sobre as coisas; eu era sentido puro e achava que a vida não precisava ser explicada, melhor: eu não achava nada! Desta forma, meus olhos viam um mundo bonito. E desenhava no papel aquela inocência de sol, repousando entre as montanhas, e fazia o céu azul sem me importar com a incidência do raio solar, a um ângulo determinado na atmosfera, que crepusculava o firmamento. Bons tempos estes em que tinha eu tantas certezas...hoje, olho de sobressalto tudo que vejo e duvido de tudo que não consigo explicar; e sei explicar tão pouca coisa! Ah, quisera eu que minha vida fosse simplesmente sentida e pudesse, em paz, desenhar um céu azul no crepúsculo, sem me questionar sobre a incidência dos raios de sol na atmosfera...por algum acaso, hoje quis voltar a ser idiota...

domingo, setembro 03, 2006

A vida que sou

É quando estou alheio que percebo que há uma tênue linha a separar a vida que serei e a e vida que sou hoje. Por ser inteligente e perspicaz, cheguei até longe demais, mas sem ainda ter certeza de que tudo está na mais perfeita ordem. Neste exato momento, estou num lugar onde pretendo passar o resto da minha vida, fazendo algo que pretendia fazer pelo resto da minha vida; aí noto o quão distante estou da vida que eu seria...
Há um homem com um laptop em sua frente, comendo sanduíches de "fast-food"; eu o observo e vejo a vida que serei. Por um instante sinto náuseas por pensar que a felicidade, tal qual almejei, está comigo agora e não projetada na imagem do homem sério, de terno, que acabou de engolir metade da voracidade representada por um sanduíche. Ele limpa a boca com o guardanapo e retoma os olhos ao computador, sem perceber que às suas costas jaz, intacto, todo o Rio de Janeiro em supra beleza de um pôr-de-sol. Não! Tenho certeza de que a felicidade tal qual almejei está comigo agora...mas a vida que levo mais parece convergir para o homem que observo, silencioso, na casta brincadeira que faço de ser ele mesmo. Convalesço do momento. Ele fecha o laptop. Parece cansado; parece infeliz. Não! Não parece cansado! Não parece infeliz! Maldita idiossincrasia! Maldito marcelomorfismo! Sou eu quem não se sente bem por estar vendo a vida que eu seria, no momento da vida que sou, sendo completamente destruída pela vida que serei...

sábado, setembro 02, 2006

A memória e o Desespero

O desespero serve pra ativar a memória.

Elogio e Orgulho

As piores coisas da vida são o elogio e o orgulho. Enquanto aquele pode manter-te eternamente ligado a algo que não lhe satisfaça por haver estímulo externo, este pode manter-te ligado a algo que lhe não satisfaça pra responder aquém a uma crítica externa...